Para
Michel Foucault - em sua obra História da
Sexualidade I: A Vontade de Saber - a sociedade Ocidental à partir dos
séculos XVI e XVII até o século XIX quando buscaram esquadrilhar, definir e
ocultar o sexo acabaram por mostrá-lo e afirmá-lo. Criou-se durante esse
período mecanismos que aumentaram os discursos a respeito do sexo com o intuito
de descobrir verdades sobre o assunto. No século XIX esse discurso passa a ser
mais “científico” já que esse pensamento é unificado com uma medicina
evolucionista e sujeita a racismos oficiais. O discurso médico passa a ter efeito
de verdade absoluta já que era “neutro” e “era provado cientificamente”, no
entanto o que se via era uma moral higienista que unia a “doença” e o “pecado”.
O sexo dentro da medicina do século XIX era fortemente influenciado pelo
evolucionismo reprodutivo. Esse discurso do sexo reforçou a sua legitimidade[1].
Foucault
acredita que a história da sexualidade deve ser feita através da história dos
discursos. Para esse autor as pessoas são controladas e normatizadas por vários
mecanismos de poder. O poder está presente em todas as partes de uma relação,
seja ela forte ou fraca. As relações são dinâmicas, flexível e pode manter esquemas
de dominação grandes como pode levá-los a ruina. Os pontos de resistência são
inúmeros e que servem para atacar e para apoiar ao mesmo tempo. Percebe-se que
em uma relação de poder, temos resistências (no plural) e não resistência (no
singular). O saber está relacionado diretamente com o poder. A dualidade
opressor e oprimido não tem sentido para Foucault, dois elementos que se
confrontam em algum aspecto acabam sendo parceiros em outro e o discurso não é
a realidade e sim uma mistura de poder e saber[2].
Para
Guacira Lopes Louro, em Gênero
Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista, explica que as
relações de gênero estão relacionadas com as relações de poder. No entanto o
que determina as relações de gênero não são simplesmente a diferença entre o
corpo masculino e o corpo feminino, mas a construção feita em relação à eles:
É necessário demonstrar que
não são propriamente as características sexuais, mas é a forma como essas
características são representadas ou valorizadas, aquilo que se diz ou se pensa
sobre elas que vai constituir, efetivamente, o que é feminino ou masculino em
uma dada sociedade e em um dado momento histórico. Para que se compreenda o
lugar e as relações de homens e mulheres numa sociedade importa observar não
exatamente seus sexos, mas sim tudo o que socialmente se construiu sobre os
sexos. O debate vai se constituir, então, através de uma nova linguagem, na
qual gênero será conceito fundamental[3].
As
estratégias globais de dominação presentes no século XVIII, segundo Foucault,
que estão presentes no dispositivo da sexualidade são quatro: a histerização do
corpo feminino, as normas de procriação socializadas, a medicação do sexo
“perverso” e a pedagogização do corpo infantil. O dispositivo da sexualidade
impõe normas para controlar os desejos carnais, os corpos e o prazer. Para isso
todos deveriam seguir um padrão “normal” de sexualidade. Isso estava a
princípio ligado somente à burguesia, mas com o tempo isso foi passando para o
restante da população ocidental[4].
Para
Guacira Lopes Louro, apesar de a sociedade eleger um padrão de comportamento
social para o sexo isso não significou que os “não normais” deixaram de exercer
poder até porque espaços foram criados para o discurso desses “fora do padrão”[5].
Percebemos
então que estudo de gênero não é uma relação de homem forte e dominador contra
a mulher fraca e dominada, mas sim um complexo de relação discursiva onde ambos
ganham e perdem ao mesmo tempo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FOUCAULT. História
da Sesualidade I: A vontade de Saber. 11 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
LOURO. Gênero
Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 4 ed. Petrópolis: Vozes. 1997.
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